O mundo celebra esta sexta-feira [21.02.2025] o Dia Internacional da Língua Materna, que tem origem numa homenagem ao Movimento da Língua feita pelos bangladeshianos (então paquistaneses orientais).
Formalmente reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2002, com a adopção da resolução 56/262, o Dia Internacional da Língua Materna faz parte de uma iniciativa mais ampla para promover a preservação e protecção de todas as línguas usadas pelos povos do mundo.
A sua origem remonta a 1947, quando criou-se o Paquistão, dividido em duas partes geograficamente separadas: Paquistão Oriental (actualmente conhecido como Bangladesh) e Paquistão Ocidental (actualmente conhecido como Paquistão), ambas muito diferentes entre si no sentido de cultura, e idioma.
Em 1948, o então governo do Paquistão declarou o urdu como a única língua nacional do Paquistão, embora o bengali fosse falado pela maioria das pessoas que combinavam o Paquistão Oriental (agora Bangladesh) e o Paquistão Ocidental (agora Paquistão). O povo do Paquistão Oriental protestou, já que a maioria da população era do Paquistão Oriental e a sua língua materna era o bengali, e exigiu que o bengali fosse pelo menos uma das línguas nacionais, além do urdu.
Para acabar com o protesto, o governo do Paquistão proibiu reuniões públicas e comícios e em 21 de fevereiro de 1952, a polícia abriu fogo contra comícios. Salam, Barkat, Rafiq, Jabbar e Shafiur morreram, com centenas de outros feridos, um incidente raro na história, onde as pessoas sacrificaram as suas vidas por sua língua materna.
Desde então, os bangladeshianos comemoram o Dia Internacional da Língua Materna como um de seus dias trágicos, considerado feriado nacional em Bangladesh com o objectivo de salvaguardar as línguas do mundo da extinção.